Provavelmente você já deve ter ouvido falar de hérnia de disco.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), estima-se que 5,4 milhões de brasileiros são afetados por ela, que pode ocorrer devido a diferentes motivos: predisposição genética, esforço repetitivo, má postura, traumas, sedentarismo, tabagismo, obesidade. Acomete principalmente pessoas na faixa etária de 30 a 60 anos.

Uma hérnia nada mais é do que a migração de um conteúdo de seu espaço natural para outro espaço que antes não havia este conteúdo, como as hérnias umbilicais e inguinais causadas pela fragilidade localizada da parede abdominal. No caso do disco intervertebral, trata-se do deslocamento do conteúdo interno do disco (núcleo pulposo) para uma área em que ele não ocupava antes, devido à fragilidade localizada da parede do disco, geralmente este novo local é o canal vertebral. Na prática, o disco funciona como amortecedor natural do impacto entre as vértebras absorvendo parte da energia que poderia fraturar a mesma, dando sustentação à coluna e protegendo o osso.

As regiões mais afetadas são a lombar e a cervical por serem locais que apresentam maior amplitude de movimento e, portanto, maior stress para o disco intervertebral. A hérnia de disco cervical pode causar dores nos braços, pescoço, nuca, ombros e até no restante das costas; já a hérnia de disco lombar, além de dores fortes na região, também se prolonga para as nádegas e pernas.

E será que toda hérnia na coluna causa dor?

Na verdade, não. A patologia discal pode ser classificada como abaulamento, protusão, extrusão e sequestro. A primeira é um estágio inicial do envelhecimento do disco vertebral causado pela perda do colágeno da parede do disco de forma difusa e de sua desorganização, muito semelhante à pele, tornando-a mais frágil; devido a este envelhecimento, o disco cede um pouco devido ao aumento da pressão interna ficando com sua parede abaulada, como o que acontece com as laterais da bola de fisioterapia ao sentar-se sobre ela.

hérnia de disco

Já a protusão é causada pela distensão ou saliência do anel fibroso (parede do disco) por uma fragilidade localizada (algumas camadas da parede romperam neste local); protrusão já é considerada uma hérnia e, portanto, tem caráter patológico, podendo gerar dores nas costas, e, principalmente afetar os membros causando: dor, formigamento, dormência e fraqueza. Os mesmos sintomas podem ser causados por uma extrusão (estágio em que o anel fibroso rompe todas as suas camadas e o conteúdo interno saí para o canal vertebral) e pelo sequestro, muito parecido com a extrusão, porém o conteúdo que migrou perde continuidade com o restante do núcleo, como se fosse uma gota de água que caí perdendo contato com o restante do volume de água que está no copo.

Os sintomas não dependem exatamente do estágio da hérnia, mas sim da sua localização. É possível uma protrusão causar dor e uma extrusão não, e o contrário também pode ser verdadeiro. A dor geralmente é causada pela irritação das estruturas nervosas do canal vertebral.  

Como tratar a hérnia de disco?

Na maioria dos casos, quando diagnosticados após um exame clínico e confirmada por uma ressonância, a fisioterapia, uso de medicamentos e acompanhamento médico auxiliam na melhora do paciente.

Quem segue as recomendações se recupera, e poucas pessoas precisam de tratamento mais específico, como a cirurgia – indicada em casos mais raros, quando a dor prolonga-se por mais de três meses e o paciente encontra-se incomodado com a dor, ou há perda progressiva de força. O tratamento cirúrgico, quando recomendado, deve ser de comum acordo com o paciente, pois quem sente a dor é o paciente e não o médico; hérnia de disco não mata, portanto não é caso de vida ou morte e, mesmo que fosse, o paciente ainda assim é soberano em suas decisões sobre seu corpo.

A prevenção é o melhor caminho

Você sabia que a condição é a 3ª causa de aposentadoria precoce, e as dores nas costas são também o 2º principal motivo das pessoas tirarem licença no trabalho? Então como evitar a hérnia de disco?

Apesar da pessoa que tem fator genético ser mais predisposta à condição, ainda assim é possível tomar alguns cuidados para minimizar, pois a genética não é um fator determinante para o aparecimento, ela é só uma peça que compõe a chave para o surgimento da hérnia. Confira algumas dicas:

  1. Ao realizar uma atividade doméstica, sempre evite trabalhar com o tronco inclinado quando estiver em pé, ou seja, mantenha uma postura ereta;
  2. Opte sempre por um bom travesseiro e colchão; não precisa gastar fortunas com um colchão, ele precisa ser apenas firme e acomodar bem as curvas naturais da coluna, assim como o travesseiro;
  3. Sente-se com uma boa postura, utilize cadeiras confortáveis com bom apoio lombar e mantenha os pés apoiados;
  4. Descanse de atividades que geram movimentos repetitivos, e não carregue excesso de peso no dia a dia ou no trabalho;
  5. Fuja do sedentarismo: pratique atividades físicas e alongamentos sob orientação profissional. Lembre-se: ficar parado dói;
  6. Evite fumar – o cigarro destrói o colágeno, o disco é feito de colágeno – e aposte na alimentação balanceada para manter a obesidade longe.

Por fim, fica aqui uma dica para quem tem filhos: cuide da “saúde” da coluna deles desde cedo. Sabemos que as crianças utilizam telas (tecnologias) e, por causa delas, a má postura pode gerar dores nas costas – inclusive, pequenos de diferentes idades já apresentam queixas.

Sendo assim, previna-se! Observe os sintomas e não deixe de procurar um especialista quando sentir dores nas costas – o diagnóstico precoce e correto pode ajudar no tratamento mais rápido e eficiente.