Nosso corpo busca um estado de estabilidade interna, a isso chamamos de homeostase. Para isso nosso corpo tem uma certa capacidade de se adaptar aos ambientes em que se encontra a aos estímulos aos quais é submetido.


Se em algum momento os estímulos começarem a diminuir (a demanda diminuir), nosso corpo vai abrir mão de parte da capacidade de adaptação dele (reserva fisiológica). Se, por outro lado, os estímulos forem maiores que o habitual nosso corpo vai tentar aumentar sua reserva fisiológica por meio de um processo que chamamos de super-compensação. Mas essa adaptação é lenta, gradual e tem limite. Não adianta tentarmos sair do sedentarismo para correr uma maratona em alguns dias ou ter como objetivo saltar uma altura de 5m.


Para melhorarmos nossa reserva fisiológica, precisamos constantemente dar estímulos próximos a nossa capacidade e aguardar, descansar, até a super-compensação e o consequente aumento de nossa capacidade. Se erramos nessa balança, aumentamos muita nossa chance de “overtraining” e lesão.


A fim de modular o estímulo que estamos dando para o nosso corpo (demanda), criaram o conceito de carga total de treino. A carga total de treino é composta por dois parâmetros: a carga externa de treino e a carga interna de treino.


A carga externa de treino corresponde ao estímulo objetivo que estamos dando para o nosso corpo: peso, número de repetições, de séries, cadência, pace, intervalo, tempo de descanso… A carga interna de treino corresponde a interpretação e resposta fisiológica de nosso corpo ao estímulo dado: percepção de esforço, alteração da frequência cardíaca, acúmulo de lactato, liberação hormonal…


É importante ter em mente que essa conta não é tão simples, muitos outros fatores interferem na resposta que nosso corpo dá aos estímulos. Nutrição, descanso, sono, gesto esportivo, fase do treinamento/periodização, idade, antecedente esportivo, estado psicológico são apenas alguns dos fatores que apesar de difícil de mensurar diretamente têm impacto direto na balança capacidade X demanda.


Muitos pacientes sofrem com lesões de repetição, ou com uma lesão que nunca fica 100% e está sempre reaparecendo. Nesses casos é importante investigar a balança capacidade x demanda e os fatores que podem interferir nela. Do contrário, o fator predisponente para a lesão pode nunca ser identificado.


Se você ainda não teve lesão, procure um profissional capacitado para te auxiliar e diminuir as chances de ela aparecer. Se você já teve lesão, eu posso te ajudar. Agende a sua consulta.