Artrite crônica no quadril

O que é a Artrite crônica no quadril?

A Artrite crônica ocorre quando o sistema imunológico próprio do paciente se torna hiperativo e ataca os tecidos saudáveis. Ela pode afetar várias articulações do corpo ao mesmo tempo, bem como alguns órgãos, por exemplo, pele, olhos e coração.

A Artrite é uma das causas mais comuns de dor no quadril. É uma doença progressiva, o que significa que, geralmente, começa leve e gradualmente piora. Enquanto o termo crônica se refere ao tempo prolongado de doença. Existem diferentes tipos de Artrite que podem afetar o quadril e isso pode definir as opções de tratamento.

Quais os tipos de Artrite? 

  • Osteoartrite;
  • Artrite reumatoide;
  • Espondilite anquilosante;
  • Lúpus eritematoso sistêmico.

A forma mais comum de Artrite no quadril é a Osteoartrite que danifica a cartilagem ao longo do tempo, causando sintomas dolorosos e limitantes em pessoas após a meia-idade. Ao contrário da Osteoartrite, a Artrite crônica afeta pessoas de todas as idades, geralmente, apresentando sinais no início da idade adulta.

Já no caso da Artrite reumatoide, a sinóvia engrossa, incha e produz substâncias químicas que atacam e destroem a cartilagem articular que cobre o osso de qualquer articulação, portanto pode afetar ambos os quadris.

A Espondilite anquilosante é uma inflamação crônica da coluna vertebral que mais frequentemente causa dor lombar e rigidez, podendo afetar outras articulações também, incluindo o quadril.

O Lúpus eritematoso sistêmico pode causar inflamação em qualquer parte do corpo e, na maioria das vezes, afeta as articulações, a pele e o sistema nervoso. Pessoas com Lúpus eritematoso sistêmico têm uma incidência maior de Osteonecrose do quadril.

Causas 

A causa exata da Artrite inflamatória não é conhecida, embora haja evidências de que a genética desempenha um papel importante no desenvolvimento de algumas formas da doença.

Sintomas

  • Dor na virilha, nas partes externas das coxas, joelhoS ou nádegas;
  • Dor que piora pela manhã, depois de sentar ou descansar por um tempo, mas diminui com a atividade;
  • Aumento da dor e rigidez com atividade vigorosa;
  • Dor na articulação forte o suficiente para causar claudicação ou dificultar a marcha.

Diagnóstico

Para o diagnóstico, fazemos perguntas sobre o histórico médico, sintomas do paciente e, em seguida, conduzimos um exame físico detalhado. Além disso, solicitamos exames de imagem para confirmar o diagnóstico. 

Normalmente, as radiografias já são suficientes, mas podemos solicitar outros exames complementares, se necessário. Os exames laboratoriais de sangue podem revelar se um fator reumatoide (ou qualquer outro anticorpo indicativo de Artrite inflamatória) está presente.

Tratamento 

Embora não haja cura para a Artrite crônica, existem várias opções de tratamento que podem ajudar a prevenir a destruição das articulações.  A Artrite crônica é uma patologia que necessita de tratamento por uma equipe multidisciplinar, incluindo reumatologistas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, especialistas em reabilitação e cirurgiões ortopédicos.

Existem algumas opções de tratamentos não cirúrgicos e devemos ressaltar que uma combinação de métodos de tratamento funciona melhor para o paciente:

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): são medicamentos que podem aliviar a dor e ajudar a reduzir a inflamação;
  • Corticosteróides: são medicamentos, como por exemplo a prednisona, que apresentam efeitos anti-inflamatórios potentes;
  • Medicamentos anti reumáticos modificadores da doença (DMARDs): como metotrexato e sulfassalazina, atuam no sistema imunológico para ajudar a retardar a progressão da doença; 
  • Fisioterapia motora: exercícios específicos que podem ajudar a aumentar a amplitude de movimento do quadril e fortalecer os músculos que sustentam a articulação;
  • Dispositivos de assistência: o uso de bengala, andador, ou muleta podem facilitar a execução das tarefas da vida diária;
  • Tratamento com ondas de choque também é uma opção para diminuir o padrão inflamatório e auxiliar no controle da dor.

Se os tratamentos não cirúrgicos não aliviarem suficientemente a dor, podemos recomendar a cirurgia. O procedimento cirúrgico mais comum realizado para Artrite crônica do quadril é a artroplastia total do quadril, ou seja, a colocação de prótese. Embora complicações sejam possíveis em qualquer cirurgia, tomamos todas as medidas necessárias para minimizar os riscos. As complicações mais comuns da cirurgia incluem:

  • Infecções;
  • Sangramentos excessivo;
  • Trombose;
  • Danos aos vasos sanguíneos ou artérias;
  • Luxação (na artroplastia total do quadril);
  • Desigualdade de comprimento de membro (na artroplastia total do quadril);
  • Antes da cirurgia, discutimos com o paciente as possíveis complicações e esclarecemos as possíveis dúvidas.

Nos casos que a Artrite crônica evolui para lesões articulares graves, a cirurgia pode aliviar a dor, melhorar o movimento do quadril e ajudá-lo a voltar a ter qualidade de vida. A artroplastia total do quadril é uma das operações de maior sucesso em toda a medicina!

O tempo de recuperação depende de vários fatores, incluindo o estado geral de saúde e a reabilitação do paciente. Inicialmente, é preciso o auxílio de andador ou muletas para andar. No entanto, com fisioterapia motora o paciente irá recuperar a força do quadril e restaurar a amplitude de movimento, podendo retornar às atividades cotidianas.

Prevenção

A Artrite crônica do quadril pode causar uma ampla gama de sintomas incapacitantes. Hoje, novos medicamentos podem prevenir a progressão da doença e a destruição das articulações. Então, o diagnóstico e tratamento precoce podem ajudar a preservar a articulação do quadril e a controlar a doença.

As modificações no estilo de vida também podem ajudar a reduzir os sintomas da Artrite do quadril, por exemplo:

  • Manter um peso saudável (e perder peso, se necessário);
  • Manejo apropriado da dor;
  • Mudança de atividades para minimizar o estresse no quadril;
  • Exercício para aumentar a força.

O apoio de um ortopedista especialista em quadril será muito importante nos casos nos quais a Artrite crônica afeta esta articulação. Assim, ao sentir sintomas, procure imediatamente ajuda. Isso porque, quanto antes iniciarmos o tratamento, maiores as chances de controle da doença.

Artrose no quadril

A Artrose no quadril, também conhecida como Osteoartrose ou Coxartrose, é uma doença degenerativa que ocorre devido ao desgaste da cartilagem desta articulação. A cartilagem é uma estrutura que possibilita que os ossos deslizem suavemente uns sobre outros no momento do movimento. Todavia, quando danificada ou desgastada, faz com que este deslize fique dificultado.

Como consequência, o movimento da região acometida poderá ser afetado, além de causar dor e inflamação. O quadril é uma das articulações que suporta o peso do nosso corpo, sendo responsável também pelo movimento dos membros inferiores. Dessa maneira, quando a Artrose no quadril atinge níveis avançados, poderá causar uma queda na qualidade de vida do paciente.

Causas 

A Artrose no quadril costuma afetar pessoas idosas, principalmente mulheres. Em linhas gerais, não existe uma causa exata para sua origem, podendo estar relacionada a antecedentes genéticos e história familiar. Apesar de ser um processo normal do envelhecimento, poderá ser aumentada por alguns fatores, por exemplo:

  • Obesidade;
  • Esforços físicos repetitivos;
  • Esportes de alto impacto;
  • Traumas;
  • Infiltrações com cortisona em excesso;
  • Doenças reumatológicas inflamatórias;
  • Doenças congênitas do esqueleto.

Sintomas

A Artrose do quadril poderá ser assintomática em alguns pacientes, principalmente naqueles mais jovens. A evolução da doença tende a ser lenta, mas com o envelhecimento, pode piorar de forma progressiva. A dor da artrose será sentida na virilha ou na região lateral da articulação. Além disso, poderá irradiar para as nádegas ou para os joelhos. Frequentemente, os pacientes têm os seguintes sintomas associados à dor:

  • Rigidez e diminuição da mobilidade na região do quadril;
  • Dificuldade de cruzar as pernas;
  • Perda de flexibilidade;
  • Dificuldade de colocar sapatos e meias;
  • Possíveis estalos na articulação;
  • Dificuldade de marcha (mancar);
  • Incômodo ao ficar em pé por longos períodos.

Diagnóstico

Para chegar a um diagnóstico preciso, o médico irá examinar o paciente em consultório e, possivelmente, solicitará algum exame de imagem, como raio x, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

Com base nisso, conseguirá avaliar qual o estágio da doença e o tratamento mais indicado.

Tratamento

A Artrose de quadril é uma doença que não tem cura, ou seja, não existe tratamento que reverta sua evolução. Dessa maneira, será importante controlar os sintomas e, quando possível, retardar a evolução da doença. Dependendo do grau de evolução da Artrose e idade do paciente, o tratamento conservador poderá ser adotado e irá contemplar:

  • Uso de medicamentos;
  • Fisioterapia;
  • Repouso;
  • Infiltração com ácido hialurônico (viscossuplementação);
  • Tratamento com ondas de choque;
  • Acupuntura;
  • Fortalecimento Muscular;
  • Perda de peso.

Quando a doença já está em um estágio avançado e o paciente tem seus movimentos muito comprometidos, a solução mais indicada é a cirurgia para colocação de prótese de quadril.

A prótese de quadril é utilizada para substituir a articulação degenerada. Poderá ser composta por componentes de metal, polietileno ou cerâmica e é colocada na cabeça do fêmur e no acetábulo (região da bacia onde o fêmur se encaixa). O objetivo principal desta cirurgia é o alívio da dor e a recuperação da mobilidade e flexibilidade da articulação diminuindo, desta forma, a quantidade de remédios que o paciente utilizava para controle da dor. 

Assim, o paciente poderá voltar a realizar as atividades do dia a dia, restabelecendo seu bem estar e qualidade de vida.

Bursite no quadril: por que ocorre e como tratar?

A Bursite no quadril consiste na inflamação das bursas localizadas nesta região e causa dor e limitação da região lateral do quadril. As bursas são bolsas que contém líquido sinovial, que funcionam como um sistema de lubrificação e proteção dos tendões e dos ossos. Existem 4 bursas principais na região do quadril, são elas:

  • Subglútea: separa a camada profunda do glúteo máximo, do trocanter maior e dos rotadores externos curtos;
  • Trocantérica: Fica localizada entre o tendão do glúteo máximo e do vasto lateral;
  • Isquioglútea: Fica sobre a tuberosidade isquiática;
  • Iliopectínea: Maior bursa do corpo.

Algumas pesquisas sugerem que, além das inflamações, as bursas trocantéricas possuem ramos nervosos em seu interior, que irritados podem causar dor. Existem outras doenças que podem evoluir com dor trocantérica, como a tendinite do quadril, por exemplo. Dessa maneira, alguns autores utilizam o termo síndrome de dor do grande trocanter (SDGT) para dor na região lateral do quadril. 

Causa

A Bursite trocantérica é a mais frequente, muitas vezes de causa desconhecida, acomete mais mulheres que homens e pode ser iniciada por vários fatores, são eles:

  • Pressão prolongada sobre o trocânter maior (se deitar sobre o quadril ou ficar muito tempo na mesma posição);
  • Sobrecarga mecânica, resultante de um desequilíbrio muscular, por exemplo, durante a atividade física ou de trabalho em excesso;
  • Falta de alongamento;
  • Sobrepeso;
  • Trauma no quadril;
  • Cirurgias prévias no quadril, membro inferior contralateral ou coluna, que podem mudar a mecânica e a carga nos quadris;
  • Alterações na marcha por alguma razão, como a discrepância de membros
  • Apresentação do quadril largo em mulheres;
  • Alterações hormonais que podem causar menor lubrificação.

Além disso, a Bursite no quadril é um problema que afeta uma grande parcela de pessoas sedentárias ou que permanecem sentadas por muito tempo e pode estar associada a outras doenças, como Artrite reumatoide, tendinites ou processos infecciosos. Mas, também pode atingir corredores, principalmente as mulheres, e praticantes de atividades com movimentos repetitivos do quadril.

Isso porque, o principal fator de risco é o desequilíbrio muscular. Assim, a falta de elasticidade e preparo muscular leva a um estresse e atrito nas estruturas locais causando sobrecarga e inflamação das bursas. 

Sintomas

  • Dor lateral, trocantérica do quadril e dor ao dormir de lado;
  • Queimação;
  • Dor para subir e descer escadas e ao se levantar ou sentar em uma cadeira;
  • Irradiação lateral da coxa e joelho;
  • Limitação funcional;
  • Dificuldade de marcha;
  • Sensação de fraqueza.

Diagnóstico 

Normalmente, a história clínica e a avaliação clínica do paciente já costumam ser suficientes para o diagnóstico. No entanto, alguns exames de imagem podem auxiliar, como a radiografia, a ultrassonografia e a ressonância nuclear magnética. 

Esses exames de imagem podem auxiliar na identificação de lesões associadas, como tendinites ou ruptura do tendão dos músculos glúteos médio e mínimo, coxartrose e outras doenças do quadril.

Tratamento 

O tratamento clínico apresenta boa resposta na grande maioria dos casos e pode incluir:

  • Redução ou adaptação das atividades;
  • Perda de peso e mudança de hábitos de vida;
  • Aplicação de gelo no local;
  • Analgésico ou anti-inflamatórios não esteroides via oral; 
  • Fisioterapia motora com analgesia, alongamento e fortalecimento muscular;
  • Tratamento de onda de choque;
  • Acupuntura;
  • Infiltrações.

Além disso, é necessário fazer o tratamento das possíveis causas da Bursite, por exemplo, a Artrite reumatoide, alteração de marcha e alteração hormonal. Em casos de dor e inflamação refratária ao tratamento conservador, o tratamento cirúrgico pode ser indicado. A cirurgia de ressecção da bursa trocantérica pode ser aberta ou por vídeo. O procedimento é raramente indicado pelo risco de não alívio completo dos sintomas ou da recidiva da dor. 

Durante o tratamento, especialmente na fase aguda da doença, o recomendado é o repouso das atividades físicas. Em casos mais leves, por exemplo, poderemos inserir as atividades físicas mais brevemente.  A maioria dos pacientes precisam de um melhor equilíbrio e fortalecimento muscular, enquanto outros podem precisar focar na correção de movimentos relacionados à atividade física. A reabilitação motora, nas duas situações, é importante para a reinserção da atividade física na vida do indivíduo.

Dessa forma, com o tratamento adequado o paciente irá apresentar melhora do quadro e recuperar sua qualidade de vida, além de evitar o retorno dos sintomas. Também é importante respeitar os dias de descanso dos treinos para o corpo se recuperar adequadamente.

Prevenção

Uma das principais formas de prevenção da Bursite no quadril é o alongamento. Orientações e treinamento para as práticas esportivas também são importantes, possibilitando correção na execução de movimentos errados e nas posturas durante as atividades evitando, assim, as sobrecargas nos quadris.

Complicações

Caso a Bursite no quadril não seja tratada, o quadro poderá evoluir e o paciente poderá sofrer algumas complicações, por exemplo:

  • Persistência da dor que pode limitar as atividades diárias;
  • Dificuldade de marcha;
  • Mobilidade reduzida;
  • Distúrbios do sono decorrentes da dor.

Eventualmente, o paciente poderá ter complicações devido às injeções de corticoide na região, como rompimento de tendões. Assim, fica evidente a necessidade de procurar um médico ortopedista especialista em quadril ao sentir os primeiros sintomas da Bursite, de modo a agilizar o diagnóstico e tratamento.

Fratura de quadril

Sofri uma fratura de quadril, e agora?

Esse tipo de fratura é mais comum em idosos. É uma lesão que gera dor e dificuldade na mobilidade e demanda atenção e tratamento adequado. O quadril é a maior articulação do corpo humano, do tipo esferóide e possui movimento em três planos:

  • Flexão – extensão;
  • Abdução – adução;
  • Rotação interna – rotação externa.

Ele tem a função de suportar a carga axial do corpo e possibilitar os movimentos dos membros inferiores viabilizando, por exemplo, a marcha. É composto pelo fêmur e sua parte superior, denominado fêmur proximal, se articula com o acetábulo na bacia. A estabilidade do quadril depende, principalmente, de seu arcabouço osteocartilaginoso, da cápsula articular e da musculatura.

Como podem ocorrer as fraturas do quadril? 

As fraturas no quadril podem ocorrer em pacientes jovens envolvidos em acidentes automobilísticos ou traumas de grande energia. Mas elas ocorrem com maior frequência em pacientes idosos, que apresentam ossos mais fracos e em alguns casos, osteoporose. 

Nesses casos, as fraturas do quadril acontecem por traumas de baixa energia, como a queda da própria altura. Eventualmente, os ossos estão tão enfraquecidos que também podem se quebrar com a movimentação normal do quadril, ocasionando a queda ao solo.

Quais são os tipos de fratura no quadril?

Podemos dividir os tipos de fratura do quadril pela localização anatômica que ocorrem, por exemplo:

  • Acetábulo;
  • Cabeça Femoral;
  • Colo Femoral;
  • Região Trocanteriana;
  • Região Subtrocanteriana.

Fatores de risco

  • Osteoporose;
  • IMC baixo;
  • Baixa atividade;
  • Uso de tabaco;
  • Pouca exposição solar;
  • Fraqueza muscular ou redução do reflexo;
  • Alteração de marcha e equilíbrio;
  • Problemas neurológicos;
  • Alteração visual; 
  • Pressão arterial lábil.

Sintomas

O sintoma mais comum é a dor na virilha associada ao encurtamento do membro inferior afetado, que pode irradiar para a coxa ou joelho e incapacidade de marcha. 

Diagnóstico

Após a avaliação do médico ortopedista, será necessário realizar radiografias, que geralmente são suficientes para o diagnóstico. Em alguns casos pode ser necessário a realização de tomografia computadorizada ou até mesmo uma ressonância magnética para se ter um diagnóstico adequado.

Tratamento 

Na maioria dos casos, o tratamento da fratura no quadril demandará o tratamento cirúrgico e, quando feita precocemente, a cirurgia pode diminuir o risco de mortalidade do paciente. A execução da cirurgia irá proporcionar uma recuperação com menos dor e complicações. Ou seja, o tratamento cirúrgico está relacionado ao menor tempo no hospital, melhor reabilitação e menor mortalidade.

As cirurgias de tratamento de fraturas do quadril são consideradas cirurgias de urgência e, dependendo do tipo de fratura, a cirurgia pode ser feita com parafusos, placa, haste intramedular ou prótese de quadril.

Em média, quanto tempo demora para o paciente se recuperar de uma fratura no quadril?

As fraturas se consolidam entre 6 e 8 semanas. Entretanto, o tempo de recuperação de cada paciente pode variar de acordo com alguns fatores, como a gravidade da fratura, a técnica cirúrgica utilizada, o quadro clínico do paciente e a reabilitação. Assim, iniciar a fisioterapia o mais breve possível será essencial para trazer o paciente ao seu ambiente e rotina. Vale ressaltar que a sustentação do peso é muito importante para que o paciente tenha uma recuperação ideal. 

Prevenção

Um dos principais fatores para as fraturas no quadril são as quedas, que ocorrem por circunstâncias multifatoriais. Para preveni-las é importante fazer profilaxia e tratamento de doenças clínicas crônicas, como por exemplo a osteoporose.

Devemos também priorizar hábitos de vida saudável baseados em boa alimentação e atividades físicas de rotina. Outro ponto essencial será organizar o ambiente do idoso, ou seja, ter cuidado com escadas, tapetes, objetos largados no chão, presença de animais, calçados e iluminação.

As medidas possíveis para ajudar na prevenção de quedas são uma educação do paciente e dos familiares, revisão periódica de medicamentos de uso contínuo, atenção ao transitar pela casa à noite e uso de apoio para se levantar e sentar. Dessa maneira, será possível evitar ou diminuir o número de acidentes domésticos dos idosos e, consequentemente, as fraturas no quadril. 

Lembre-se que, diante de uma queda ou quaisquer sintomas nesta região, será essencial procurar um ortopedista especialista em quadril para fazer um diagnóstico preciso e, se necessário, iniciar um tratamento o quanto antes.

Impacto Femoroacetabular

Para falarmos sobre impacto Femoroacetabular é importante entendermos a anatomia do quadril: 

O quadril é uma articulação onde o fêmur se encontra com a pelve. O fêmur possui sua extremidade esférica (que chamamos de cabeça do fêmur) que se articula com o acetábulo, e possibilita o movimento desta articulação. Também o acetábulo deve ser esférico, de modo a encaixar a cabeça do fêmur e proporcionar uma melhor movimentação. Em alguns casos, por uma alteração anatômica no quadril ocorre o impacto do colo do fêmur com o rebordo acetabular. Nestes quadros, temos a patologia que chamamos impacto Femoroacetabular. 

Causas

Existem 3 tipos de impacto:

O came ou cam: caracterizado por alterações no formato da transição do colo e cabeça do fêmur. Durante o movimento de flexão e rotação, principalmente a rotação interna do quadril, ocorre um impacto da deformidade em cabo de pistola com a superfície acetabular. Com o passar do tempo, essa lesão provoca dor e pode resultar na lesão do Labrum. Além disso, ela pode desencadear uma artrose precoce da articulação do quadril.

O pincer: esta patologia ocorre devido uma alteração na conformação do acetábulo, que pode ser profundo ou retrovertido, levando a uma maior cobertura da cabeça do fêmur. Normalmente, o paciente apresenta piora da dor com flexão e rotação do quadril. Nos casos mais avançados, podemos identificar lesão do Labrum ou aparecimento de artrose precoce. 

O misto: são os casos mais comuns, pois raramente as alterações no quadril ocorrem isoladamente.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco para esta patologia são as próprias deformidades ósseas e as atividades esportivas que envolvem a flexão ou rotação do quadril, como por exemplo, tênis, golfe, artes marciais, futebol, ballet e yoga. Acredita-se que a maioria das deformidades no fêmur e acetábulo são secundárias às doenças do quadril na infância e adolescência, como o escorregamento da epífise proximal do fêmur e Legg-Calvé-Perthes.

O que ocorre, é que estas patologias, muitas vezes, passam despercebidas em crianças, mas são diagnosticadas na fase adulta. Pacientes com níveis elevados de atividade física têm risco maior de desenvolver deformidades tipocame. Outros fatores de risco para o Impacto Femoroacetabular são sequelas de traumas, tumores benignos ou osteotomias do quadril. 

Sintomas

A principal queixa é a dor, a qual pode ser aguda ou gradual. O paciente irá sentir dor na virilha, na maioria das vezes relacionada a atividade física, gestos esportivos repetitivos ou determinados períodos em que o paciente fica em certas posições. Além disso, o paciente poderá sentir uma dor profunda e não palpável ou irradiada para região lateral ou posterior do quadril, no glúteo. 

O quadro tende a piorar com movimentos de flexão, adução e rotação do quadril, principalmente a rotação interna.  Em adição, alguns pacientes se queixam da “falta de alongamento”, mas, na verdade, eles possuem um bloqueio mecânico da articulação pela deformidade óssea. Pode ocorrer também de ouvirmos estalos em determinados movimentos do quadril. 

Diagnóstico

O diagnóstico para esta patologia é feito por exame físico, realizando manobras provocativas que reproduzem a dor referida pelo paciente. Solicitamos exames de imagem, como as radiografias de diferentes incidências, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética. Assim, avaliamos a morfologia dos quadris e as lesões de partes moles, especialmente a cartilagem e lábio acetabular. 

Tratamento

Inicialmente, procuramos fazer o tratamento conservador que tem como principal medida a reeducação do paciente para evitar os movimentos que provocam a dor e a alteração de suas atividades diárias. Outras medidas são o repouso, uso de medicações analgésicas ou anti-inflamatórias e a fisioterapia motora para o reequilíbrio muscular e postural, que podem auxiliar na diminuição do impacto e consequentemente da dor e da degeneração. 

Na falha do tratamento clínico, ou em casos em que a deformidade óssea é importante, indicamos o tratamento cirúrgico. Então, as cirurgias para tratamento do impacto Femoroacetabular dependem do grau da lesão causada pela doença.

Por exemplo, em lesões iniciais com cartilagem preservada, podemos optar pelas cirurgias de preservação articular, com ressecção das deformidades e reconstrução, sutura ou ressecção labral. No entanto, em casos mais avançados com comprometimento da cartilagem, as cirurgias de preservação articular são pouco resolutivas. Nesse caso, o tratamento será semelhante ao da artrose de quadril, podendo precisar de uma cirurgia de substituição articular com a colocação de prótese no quadril.

Prevenção

No geral, a prevenção desta doença envolve uma avaliação médica para identificar se o paciente possui alguma deformidade óssea pré-existente. Pessoas que praticam atividades intensas e que envolvem a flexão e a rotação do quadril podem realizar uma avaliação ortopédica para determinar a existência ou não de alguma deformidade no quadril. Dessa forma, é possível iniciar um tratamento precoce com modificações nas atividades esportivas e do dia a dia, de modo a ajudar a proteger esta região.

Luxação no quadril

Por que ocorre a luxação no quadril e como tratar?

A luxação do quadril ocorre quando a articulação fica fora do lugar correto, ou seja, a cabeça femoral se desloca do acetábulo. Apesar de não ser tão frequente, é considerado um quadro grave e necessita de atendimento médico urgente. Geralmente, é decorrente de traumas de alta energia, como por exemplo, acidentes automobilísticos, motociclísticos ou grandes quedas.

Tipos

A luxação do quadril pode ser classificada da seguinte forma: anterior, posterior, central e associada à fratura da cabeça femoral. Existem alguns fatores que irão determinar o tipo de luxação, como a posição do quadril no momento do trauma. No geral, a luxação mais frequente é a posterior e, nesses casos, de 10% a 14% dos pacientes apresentam também uma lesão do nervo ciático.

A intensidade e o vetor da força determinarão a direção da luxação e se haverá fratura associada:

  • Flexão, adução e rotação interna – possivelmente irá gerar uma luxação posterior sem fratura;
  • Flexão parcial, adução parcial e rotação interna – possivelmente irá gerar uma luxação posterior, possivelmente, com fratura;
  • Extensão, hiperadução e rotação externa – possivelmente irá gerar uma luxação anterior.

Sintomas

  • Dor intensa na região quadril;
  • Encurtamento do membro;
  • Joelho e pé virados para dentro ou para fora;
  • Limitações de mobilidade ou atitudes fixas. 

Diagnóstico

Como a maioria das patologias, fazemos o diagnóstico da luxação de quadril com base na história clínica, exame físico e exames complementares. Sabemos que a posição do membro inferior pode variar, dependendo do tipo de luxação do quadril.

Assim, devemos investigar mais a fundo as atitudes fixas do quadril ou bloqueio de mobilidade, pois podem indicar a presença de corpos intra-articulares. Os pacientes com luxação do quadril, por serem vítimas de acidentes de alta energia, devem ser avaliados como pacientes politraumatizados. Dessa maneira, é importante a avaliação de outros sistemas para excluir lesões em outros órgãos. Isso porque, em 95% dos casos eles apresentam lesões associadas, por exemplo:

  • Fraturas da cabeça, colo ou diáfise femoral;
  • Fraturas acetábulo;
  • Lesões ligamentar do joelho, tornozelo e pé;
  • Fraturas pélvicas;
  • Fraturas de coluna.

Tratamento

O tratamento da luxação do quadril (Femoroacetabular) se dá através de uma série de procedimentos, conforme necessidade do paciente. 

Inicialmente, devemos tentar uma redução incruenta no centro cirúrgico em caráter de urgência. A redução incruenta é um procedimento fechado de recuperação dos desvios dos ossos ou articulações através de manobras ortopédicas específicas. Caso não seja possível realizar a redução fechada, faremos uma redução aberta. Não devemos realizar a redução incruenta caso haja uma fratura femoral ou em casos que o membro inferior impeça as manobras de redução (fraturas no membro inferior do mesmo lado).

Além disso, faremos um teste de estabilidade dinâmica com radiografias durante o intraoperatório para verificar as condições da articulação do quadril. Após a redução da articulação do quadril na fase aguda, devemos reavaliar o paciente e, para isso, solicitamos novas radiografias e tomografia. 

A necessidade do tratamento cirúrgico ou não dependerá da presença ou não de outras lesões ou fraturas, como por exemplo, fraturas da cabeça do fêmur, acetábulo ou corpos livres intra-articulares.

No caso de luxação simples do quadril, o paciente deverá permanecer internado por um período mínimo de 3 dias. Nas luxações sem fratura é extremamente importante não sustentar o peso total do corpo do membro no pós-operatório imediato, devido ao risco de necrose avascular da cabeça femoral. Vale salientar que quanto menor o tempo de luxação, melhor o prognóstico:

  • Menos de 6 horas da luxação – 2 semanas sem carga total e a necrose avascular da cabeça do fêmur fica em torno de 0-10%;
  • Mais de 6 horas de luxação – 8 a 12 semanas sem carga total e a necrose avascular da cabeça do fêmur pode chegar a 40%.

Complicações

  • Necrose avascular da cabeça do fêmur;
  • Artrite; 
  • Lesão neurológica;
  • Ossificação heterotópica;
  • Luxação reincidente.

É evidente a necessidade de agir o mais rápido possível nos casos de traumas na região para fazer o devido diagnóstico e tratamento. Além disso, é importantíssimo fazer o devido acompanhamento com um ortopedista especialista em quadril após o atendimento inicial.

Osteonecrose do quadril

O que é a Osteonecrose do quadril?

A Osteonecrose da cabeça femoral, também conhecida como Necrose Asséptica ou Necrose Avascular da cabeça femoral, é causada por um distúrbio de sua vascularização (circulação vascular), ou seja, um infarto ósseo. Acomete, principalmente, o adulto jovem de 30 a 50 anos e é mais comum em homens que mulheres. Além disso, de 50 a 80% dos pacientes podem ter a doença bilateral, ou seja, nos dois lados do quadril.

Como consequência desta patologia, a cabeça femoral sofre microfraturas e, geralmente, se deforma de maneira progressiva, levando ao desgaste da articulação.

Causas

Existem algumas teorias para as causas da Osteonecrose, por exemplo:

  • Uso de álcool e exposição à radiação (toxicidade direta);
  • Ocorrência de um trauma no quadril (extra ósseo arterial);
  • Estase venosa (extra ósseo venoso);
  • Edema ósseo, uso de corticoides e gota (intraósseo extravascular);
  • Anemia falciforme, disbarismo, uso de corticóides e uso de álcool (intraósseo intravascular).

Sintomas

Os sintomas da Osteonecrose estão bastante relacionados com a fase da doença. No geral, o paciente pode apresentar dor súbita ou progressiva na virilha com ou sem irradiação para coxa ou joelho. Então, quando a doença se mantém estacionária ou evolui muito lentamente, os sintomas são leves ou ausentes, podendo permanecer desta maneira por longo período.

Como essa é uma doença progressiva, os sintomas também evoluem. Dessa maneira, conforme a necrose vai evoluindo, vai levando ao colapso da cabeça do fêmur com lesão da cartilagem e desgaste da articulação. Nesse momento, os sintomas serão semelhantes aos da artrose. Além da dor, o paciente poderá ter os seguintes sintomas associados:

  • Rigidez e diminuição da mobilidade na região do quadril;
  • Dificuldade de cruzar as pernas;
  • Perda de flexibilidade;
  • Dificuldade de colocar sapatos e meias;
  • Possíveis estalos na articulação;
  • Dificuldade de marcha (mancar);
  • Incômodo ao ficar em pé por longos períodos.

Diagnóstico

Os exames de imagem são importantes para o diagnóstico e o tratamento da necrose da cabeça do fêmur.  Na maioria dos casos, as radiografias do quadril são suficientes para diagnosticar a osteonecrose da cabeça femoral.

Nos casos mais iniciais, podemos investigar por meio das cintilografias e da ressonância nuclear magnética. A ressonância nuclear magnética é o exame padrão ouro para o diagnóstico, pois através dela podemos calcular a extensão da necrose na cabeça femoral e avaliar o prognóstico. Nesse exame também é possível diferenciar a necrose da cabeça femoral de outras patologias, como a osteoporose transitória do quadril e a fratura por insuficiência da cabeça femoral. 

Tratamento

Inicialmente, o tratamento da patologia gira em torno da orientação e reeducação do paciente.  Assim, será necessária uma alteração de hábitos de vida com a perda de peso e a prática de atividade física sem impacto, como por exemplo, o uso de bicicleta, a prática de atividades aquáticas e/ou exercícios controlados em academias. 

Podemos associar o uso de medicamentos e auxílio de bengalas ou muletas durante as crises álgicas. Todavia, é importante ressaltar que o uso de bifosfonatos e condroprotetores são discutidos no tratamento dessa patologia. A fisioterapia será também para a analgesia e o reequilíbrio muscular.

Atualmente, existe o tratamento de ondas de choque focal em casos de Osteonecrose da cabeça femoral, que costuma apresentar bons resultados. Em alguns casos,  pode-se fazer a infiltração articular para aliviar os sintomas da doença.

Uma informação importante é que a fase da doença influencia muito no tratamento clínico. Isso porque, o tratamento conservador foca na tentativa de controlar a evolução da doença e aliviar os sintomas. Assim, uma eventual falha do tratamento conservador pode significar que a necrose já se encontra em uma fase mais avançada e, nesses casos, o tratamento cirúrgico pode ser a melhor opção.

A determinação do tipo de procedimento cirúrgico deve ser individualizada para cada paciente, considerando a fase da doença, a idade, seu nível de atividade e amplitude de movimentos. Em geral, são 3 tipos de procedimentos cirúrgicos que poderemos executar:

  • Descompressão da cabeça femoral;
  • Osteotomias (mudanças na posição dos ossos da articulação do quadril);
  • Artroplastias (próteses) totais de quadril.

Caso você sinta dores na região do quadril, procure o quanto antes um ortopedista especialista. Muitas doenças, como por exemplo a Osteonecrose, tem um tratamento mais eficaz em seus estágios iniciais.

Pubalgia

Pubalgia: entenda mais sobre a doença 

A Pubalgia é uma síndrome caracterizada pela dor na região da sínfise púbica, localizada na frente da bacia. Possui diversos sinônimos, como Pubeíte ou Osteíte púbica. Essa patologia é comum em atletas de alto rendimento, principalmente jogadores de futebol. 

Sintomas

  • Dor na parte inferior do abdômen;
  • Irradiação para parte interna das coxas, genital ou períneo;
  • Piora da dor durante atividades com chute, arrancada ou abdominais;
  • Dor durante atividade sexual;
  • Geralmente, dor mais comum unilateral.

Os sintomas podem se iniciar mais leves e evoluir levando à uma incapacidade de realizar atividades do dia a dia. É importante ressaltar que a região do púbis pode apresentar sintomas relacionados a outras patologias, como doenças gastrointestinais, ginecológicas, urológicas e neurológicas. Nesses casos, será apontada a necessidade da avaliação do especialista da área.

Causas

Como mencionado anteriormente, é importante excluir causas de Pubalgia relacionadas a outras especialidades. A sínfise púbica ou púbis é uma articulação fixa, que fica sujeita a inúmeras forças de sentidos diferentes.  Durante a prática esportiva, as musculaturas abdominais e adutoras exercem forças de intensidades grandes e com bastante repetições. Essas forças possibilitam os movimentos de grande amplitude, as alterações de direção, os saltos, as mudanças na aceleração e os chutes. E com isso, a sínfise púbica sofre bastante estresse.  

Assim, o desequilíbrio das forças musculares adjacentes a essa articulação pode causar as alterações da região, como tendinites, edema ósseo, lesões musculares e degeneração articular. As síndromes de Pubalgia também podem ser causadas por alterações mecânicas músculo esqueléticas, como por exemplo, artrose no quadril, impacto Femoroacetabular, fraturas de estresse ou sequelas de membros inferiores. 

Diagnóstico

A Pubalgia pode ter causas multifatoriais, dessa forma, o exame físico e os exames de imagem são essenciais para o diagnóstico. No geral, podemos direcionar os exames de imagens de acordo com a suspeita clínica. Assim, a radiografia simples, ultrassonografia e a ressonância nuclear magnética podem ser utilizadas para auxiliar no diagnóstico. 

Tratamento

O tratamento da Pubalgia, na grande maioria dos casos, é conservador e engloba:

  • Repouso;
  • Medicação anti-inflamatória e analgésica;
  • Terapia com gelo;
  • Fisioterapia motora;
  • Massagem e liberação miofascial;
  • Hidroterapia;
  • Reeducação dos gestos esportivos;
  • Terapia de ondas de choque;
  • Tratamento da doença de base que esteja causando a Pubalgia, por exemplo, hérnia inguinal. 

Assim, a cirurgia está reservada para os pacientes que não melhoram com tratamento clínico. Na cirurgia, realizamos a liberação parcial dos tendões dos músculos reto abdominal e adutores com objetivo de enfraquecê-los e, assim, atingir um reequilíbrio muscular. O trabalho de reinserção para a atividade esportiva de cada paciente é realizado individualmente, pois pode depender do quadro inicial da doença e da evolução do paciente ao longo do tratamento. 

Fatores de risco 

  • Movimentos amplos;
  • Movimentos repetitivos;
  • Aceleração e desaceleração rápida;
  • Mudança de direção súbita;
  • Saltos com apoio monopodálico;
  • Chutes.

Prevenção

A melhor forma de prevenção é o preparo físico do corpo para determinadas atividades, fortalecendo o CORE e a estabilidade pélvica.  Ainda assim, mesmo um atleta bem preparado sofre lesões. Podemos prestar mais atenção nos sinais de alerta do corpo, a fim de tentar evitar episódios de sobrecarga das estruturas. 

Orientações e treinamento para as práticas esportivas também são essenciais, possibilitando correção na execução de movimentos e nas posturas durante as atividades. Existem alguns outros cuidados importantes, como por exemplo: 

  • Aplicação de gelo após atividades físicas;
  • Aquecimento do corpo;
  • Hidratação;
  • Utilização de equipamentos adequados.

Caso você sinta os sintomas citados, procure um ortopedista especialista em quadril para lhe auxiliar.

Síndrome do Piriforme

Você sente dor glútea? 

A síndrome do Piriforme, também conhecida como “dor glútea profunda”, é uma condição na qual o músculo, localizado na região das nádegas, pode ter espasmos. Assim, o quadro pode irritar o nervo ciático, que está anatomicamente próximo, causando dor, dormência e formigamento ao longo da parte posterior da perna e no pé. 

O que é o músculo Piriforme?

O músculo Piriforme é um pequeno músculo localizado profundamente na nádega que começa na parte inferior da coluna e se conecta à superfície superior do fêmur. Ele tem uma posição diagonal e o nervo ciático corre verticalmente abaixo dele. Existem pessoas com variação anatômica com o nervo passando pelo meio do músculo.

O Piriforme auxilia na estabilização pélvica, na rotação do quadril e na rotação externa da perna e do pé. A inflamação deste músculo é mais comum entre atletas que exercitam muito as pernas, como corredores e ciclistas. Essa inflamação atinge três vezes mais as mulheres do que os homens, além de ser comum na terceira idade, quando as pessoas têm menor flexibilidade e ficam sentadas por mais tempo.

Por que ocorre a Síndrome do Piriforme?

As causas exatas da síndrome do Piriforme são desconhecidas. No entanto, as suspeitas incluem:

  • Espasmo muscular no Piriforme, seja por irritação no próprio músculo ou de uma estrutura próxima, como por exemplo, a articulação sacroilíaca ou o quadril;
  • Tensão muscular;
  • Edema do músculo Piriforme;
  • Sangramento na área do músculo Piriforme.

Qualquer um dos problemas acima, ou a combinação deles, pode afetar o músculo piriforme. Estas condições, além da dor nas nádegas, podem afetar o nervo ciático adjacente e causar o formigamento ou dormência na parte posterior da coxa, panturrilha e do pé.

Sintomas

Mais comumente, os pacientes descrevem alteração de sensibilidade aguda nas nádegas e dor semelhante a ciática na parte posterior da coxa, panturrilha e pé. Os sintomas típicos da síndrome do Piriforme também podem incluir:

  • Dor nas nádegas, na parte de trás da coxa, panturrilha e pé (ciática);
  • Dor ao subir escadas ou inclinações;
  • Aumento da dor após ficar sentado por muito tempo;
  • Amplitude de movimento reduzida da articulação do quadril.

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome do Piriforme é baseado na história clínica do paciente, no exame físico e, possivelmente, em testes de diagnóstico.

Normalmente, este é um diagnóstico feito por meio de um processo de exclusão de outras possíveis condições que podem estar causando os sintomas, como por exemplo, uma hérnia de disco lombar ou disfunção da articulação sacroilíaca. No exame físico realizamos alguns testes do quadril e das pernas para verificar se o movimento causa aumento da dor lombar ou dor nas extremidades inferiores (dor ciática).

Além disso, o exame também pode identificar ou descartar outras possíveis causas da dor ciática, com testes de sensibilidade local e força muscular. Nos exames de imagem, como a radiografia e ressonância magnética, é difícil de detectar se o nervo ciático está sendo irritado no músculo Piriforme. Por isso, fazemos estes exames para excluir outras condições que podem causar sintomas semelhantes à síndrome do Piriforme.

Tratamento

Após chegarmos no diagnóstico correto, iniciaremos o tratamento com medicamentos para alívio da dor. Além disso, recomendamos a aplicação de gelo no local por 20 minutos a cada 2 a 4 horas. Normalmente, associamos este tratamento à fisioterapia para auxiliar o processo de recuperação e buscar o reequilíbrio muscular com alongamentos e exercícios de fortalecimento bem orientados.

Outro procedimento que podemos utilizar é a infiltração, que consiste na aplicação de medicamentos diretamente no ponto da dor. Da mesma forma, terapias alternativas, como a acupuntura e a massoterapia, são boas aliadas no combate dos sintomas.

Atualmente, também podemos contar com a utilização de toxina botulínica (Botox) para a imobilização do músculo Piriforme. Dessa forma, ele para de se contrair e diminui o atrito com o nervo ciático. A estimulação elétrica nas nádegas com uma unidade de estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) ou estimulador de corrente interferencial (IFC) é outra opção para ajudar a bloquear a dor e reduzir o espasmo muscular relacionado à síndrome.

Prevenção

A prevenção da síndrome do Piriforme pode ser feita com a inclusão de exercícios de alongamento na rotina de treino, bem como com a execução de exercícios de fortalecimento da musculatura da região do glúteo. Para quem trabalha muito tempo sentado, é fundamental fazer pausas e se movimentar.

Tendinite no quadril

O que é Tendinite no quadril? 

A Tendinite é o acometimento das estruturas tendíneas por inflamação, podendo gerar dor, incômodo ou irradiação para musculatura relacionadas ao movimento. Os tendões são estruturas que ligam os músculos aos ossos, possibilitando os movimentos. Essas estruturas podem inflamar por diversas razões, podendo gerar um problema agudo ou crônico. Uma das principais razões é a fraqueza da estrutura que leva a uma sobrecarga com maior facilidade.

Também pode ser conhecida como Síndrome da dor do grande trocanter (SDGT), um termo usado para descrever a dor na região lateral do quadril. 

Fatores de risco 

A Tendinite do quadril é a causa mais comum de dor no quadril, principalmente do gênero feminino e acima de 50 anos de idade.

O principal fator de risco para o surgimento das Tendinites ou Tendinopatias é a sobrecarga das estruturas, ou seja, o paciente acaba exigindo demais da capacidade dos músculos e tendões. A falta de preparo dessas estruturas causa fraqueza ou desequilíbrio muscular, que podem levar a danos estruturais e inflamações.

O desbalance entre demanda e preparo muscular pode ocorrer na prática de atividade física ou nas atividades de rotina por movimentos repetitivos ou relacionado a postura. Dessa forma, podem acometer os atletas e os sedentários. Outros fatores de riscos são:

  • Alterações anatômicas no quadril que possam gerar a sobrecarga nos tendões;
  • Atividades que causam impacto nos tendões;
  • Posições e postura;
  • Obesidade.

Sintomas 

As tendinites dos quadris podem se manifestar de diferentes maneiras, apresentando os seguintes sintomas:

  • Dor intensa na lateral do quadril, principalmente aos esforços como sentar e levantar, subir e descer escadas;
  • Dor irradiada para o joelho;
  • Dor pior a noite, principalmente se deitado sobre o quadril;
  • Dor com mudança de temperatura;
  • Dor ao manter posição prolongada;
  • Limitação de movimentos e mobilidade
  • Maior sensibilidade da região lateral do quadril;
  • Pode apresentar melhora da dor ao longo do dia.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito através da história e exame clínico realizado pelo ortopedista. Manobras que reproduzem a dor do paciente podem ajudar no diagnóstico. Em alguns casos pode ser necessário a realização de exames de imagem, como radiografias, ultrassom e ressonância magnética.

O diagnóstico e o tratamento precoce são importantes, pois se não tratada, o processo degenerativo da doença se acentua cada vez mais, prolongando o quadro de dor, incapacitando a prática de atividades do dia a dia, diminuindo qualidade de vida e eventualmente levando a lesão dos tendões.

Tratamento

O tratamento clínico apresenta boa resolutividade dos casos. As medidas iniciais são:

  • Repouso;
  • Orientação para retirar fatores de risco: como atividades de impacto, se deitar sobre quadril, posições prolongadas;
  • Medicação anti-inflamatória e analgésica;
  • Aplicação de gelo;
  • Fisioterapia motora;
  • Liberação miofascial;
  • Na falha das medidas iniciais, podemos indicar tratamentos mais invasivos ou onerosos. As cirurgias são reservadas para a minoria dos casos.
  • Acupuntura;
  • Tratamento de onda de choque;
  • Infiltração com medicamentos.

Lesões do Lábrum no Quadril

O que é o lábrum?

A articulação coxo-femoral é composta pelo acetábulo e cabeça femoral, conhecida como articulação bola em soquete. A bola representando a cabeça femoral e o soquete o acetábulo, em formato de colher de sorvete.
O lábrum (ou lábio) e uma estrutura que contorna a borda do acetábulo e aumenta a cobertura da cabeça femoral. Ele ajuda a estabilizar o quadril e faz com que o líquido articular se distribua melhor, diminuindo a pressão na cartilagem articular.

Causas

Lesão no lábrum é a causa mais comum de dor no quadril em adultos jovens e atletas, porém pode afetar adolescentes e pessoas com mais idade. É a indicação mais frequente de artroscopia do quadril.

Lesões do lábrum podem ocorrer em atividades esportivas ou como consequência de doenças que afetam a estrutura do quadril. Entretanto, na maioria dos pacientes ambas estão associadas como causas da lesão.

Atividades esportivas podem lesar o lábrum através de movimentos repetitivos, com pequenas lesões somando-se a cada movimento. Eventualmente movimento único que exigiu extrema rotação do quadril pode traumatizar o lábrum. Traumas diretos como quedas sobre o quadril também podem levar a lesão labral.

Doenças da estrutura do quadril podem causar impacto entre o fêmur e o acetábulo durante a flexão do quadril, “esmagando” o lábrum e a cartilagem articular. Além disso, deficiência óssea no acetábulo e frouxidão dos ligamentos podem fazer com que a cabeça do fêmur seja deslocada parcialmente e lese o lábrum. Este deslocamento geralmente é sútil e danifica o lábrum através de episodios repetitivos sendo (instabilidade do quadril).

Resumindo um pouco, existe uma associação entre alterações anatomicas, movimentos repetitivos e movimentos de extrema amplitude de movimento na articulação do quadril.

Sintomas

Dor com atividades esportivas ou ao caminhar é o principal sintoma. Estalido e falseio também são comuns, e são causados pelo deslocamento da porção lesada do lábrum dentro da articulação.
O achado de lesão labral em exames de imagem como resssonância magnética é comum em pacientes sem dor no quadril. sendo assim um achado incidental. Dessa forma, o achado de lesão labral em exames de imagem não garante que esta seja a causa da dor. Como toda patologia ortopédica, o exame físico associado a exames complementares e a chave do diagnóstico correto.

Tratamento


O tratamento visa a resolução da dor e o retorno às atividades esportivas. Alterações da estrutura óssea precisam ser vistas antes de tratar a lesão labral em si. Impacto entre fêmur e acetábulo ou instabilidade precisam ser identificados e tratados. Nestes casos, tratar somente a lesão labral sem considerar as alterações estruturais provavelmente não trará bons resultados a médio e longo prazo.

Tratamento sem cirurgia é inicialmente indicado. Este deve ser baseado na identificação das alterações estruturais, de forma que se evite certas posições que irritem o lábrum através do impacto entre fêmur e acetábulo ou pelo deslocamento da cabeça femoral. Medicações para dor e anti-inflamatórias, fisioterapia e readequação das atividades podem ser utilizadas.

Pacientes com sintomas não resolvidos pelo tratamento conservador são candidatos ao tratamento cirúrgico. A idade, situação da cartilagem articular e as atividades do paciente precisam ser levadas em consideração ao escolher o procedimento cirúrgico. Este pode ser realizado por via aberta (cirurgia tradicional) or por via artroscópica.
A grande maioria das lesões labrais e alterações estruturais podem ser tratadas através de artroscopia.

Desde que identificadas as alterações estruturais associadas a lesão labral, o prognóstico é bom, com cerca de 90% apresentado melhora significativa nos sintomas e podendo retornar a atividades esportivas.

Fratura por estresse de Quadril

O que é?

Usualmente a fratura por estresse no quadril ocorre no colo do fêmur. Fica localizado logo abaixo da cabeça femoral, sendo a parte mais fina do osso da coxa. As fraturas por estresse são fraturas sem deslocamento e que iniciam muito discretamente, mas podem piorar e se transformar em uma fratura deslocada por completo. O colo é a região que mais concentra estresse do fêmur, mesmo em condições normais. Correndo, mais do que triplica o estresse sobre o colo femoral.

Existem 2 Tipos De Fraturas De Estresse.


A) Fraturas por insuficiência que ocorrem em ossos anormalmente frágeis submetidos a esforços normais (osteopenia/osteoporose) .

B) Fraturas por fadiga que ocorrem em ossos normais submetidos a condições de força extrema. As fraturas por fadiga são causadas por atividade novas, extenuantes ou muito repetitivas como a marcha ou corridas de longa distância.

As mulheres tem 10 vezes mais chance de desenvolver fraturas por estresse. A razão não é clara, mas mudanças hormonais são a principal hipótese. Distúrbios de hábitos alimentares são mais comuns em mulheres e são outra causa de fraturas de estresse. A idade também é outro fator de risco, mesmo que o nível de atividade diminua com o passar do tempo.

Quais sao os sintomas que uma pessoa com fratura por estresse sente?

Geralmente vai ser uma dor irradiada na região da virilha, que piora com a movimentação e carga no membro afetado,pode melhorar em repouso.

Como e feito o diagnóstico?

Inicialmente vai ser solicitado um exame de imagem como raio x, mas é muito comum que seja normal . Outros exames podem mostrar essas fraturas de forma antecipada como cintilografia óssea e ressonância nuclear magnética.